O tempo passa infinitamente mais lento pra quem só espera. Espera um cargo melhor, uma vida melhor, um amor melhor, um lugar melhor pra se viver, uma roupa melhor, um carro melhor, o mais ato prazer.
Mas esperar é só uma escolha, não um calvário.
O tempo passa infinitamente mais lento pra quem só espera. Espera um cargo melhor, uma vida melhor, um amor melhor, um lugar melhor pra se viver, uma roupa melhor, um carro melhor, o mais ato prazer.
Mas esperar é só uma escolha, não um calvário.
Essa hora da noite eu sinto uma vontade incontrolável de mandar uma playlist brega, um oi que queima meu rosto, um vídeo contando meu dia. Essa hora da noite eu tenho vontade de olhar fixo pra lua e fechar meus olhos bem apertados pra que meus desejos sejam ouvidos. Essa hora da noite eu quero te dizer banalidades e contar pequenas vitórias. Essa hora da noite eu quero passar a mão no seu rosto e dizer o quanto você é importante pra mim. Essa hora da noite eu só quero dizer durma bem.
Onde eu pisar eu devo ter respeito, por mim, pelo próximo, pelo sagrado. Onde eu pisar eu devo ter amor, compaixão e compreensão. Onde eu pisar eu tenho que dar o meu melhor, não esperar reconhecimento e não achar que o outro vai ter o mesmo carinho comigo. Onde eu pisar eu tenho que entender que cada ser humano é diferente, complexo e cheio de erros e acertos, assim como eu sou. Onde eu pisar eu devo mais ouvir que falar, mais sentir que ter impulsividade, mais proatividade do que procrastinação. Onde eu pisar eu tenho que me importar em não deixar ninguém desconfortável, não criar inimizades e não ultrapassar o limite do direito do próximo. Onde eu pisar eu tenho que ter fé, confiança e sabedoria.
Eu não quero esquecer o abraço, o cheiro, o sorriso e a sensação de completude quando minha alma se encontra com a sua. Eu não escondo meu sorriso, nem minhas verdades. Não me prendo ao mundo de plástico e nem faço questão de ser piegas. O meu espírito é intenso. Eu não posso fugir dele.
Dentre todos os mundos, dentre o tempo e o espaço, dentre todo o universo, o meu sentimento não tem esforços e não mede fronteiras. As luas vão passar, meu coração vai continuar batendo forte quando a lembrança de segundos vier a minha mente.
Ultimamente, eu gosto das longas distâncias que faço. De ver o céu escurecer ou de já estar no breu completo. O carro fluindo pela estrada. Os pensamentos longe, algumas frases repetitivas na cabeça. O que eu faço é fixar os olhos no asfalto e prestar atenção aos sentimentos que fluem dentro de mim. Tem dias que não sinto o coração bater. Outros que não vejo o tempo passar. Tem dias que o sorriso toma conta de mim por completo. E tem dias que as lágrimas escorrem sem esforço. Mas o meu peito já não aperta mais e eu já não quero mais correr de mim mesma. Gosto das transformações que fiz, que tive. Gosto de ouvir minha intuição. Gosto de ter amor em abundância e de ter fé no que acredito. Gosto da paz e as vezes até do desassossego. E gosto mais ainda que em questão de segundos um só pensamento atravessa milhas e milhas forte e sem desvios. A força do pensamento é algo tão inexplicável que muitas vezes até eu mesmo admiro o quanto ele pode transformar uma vontade numa realização.
A melodia vibrava no meu peito, enquanto eu fechava os olhos e tudo desaparecia. O momento onde uma só canção faz com que o mundo pare e o sorriso lhe baste. Se isso não é felicidade, eu não sei o que é.
Um tanto de dias que só quero dizer: que saudades. Quero que o vento leve as palavras e elas sejam ouvidas, sentidas e tocadas. Que sejam leves e provoquem um sorriso. Uma lembrança feliz. Que preencha o que falta. Que de um conforto a essa sensação de ininterrupta saudade.
Hoje um filme passou pela minha cabeça. Quando olhei pra trás e vi a janela aberta, eu pude ver todas as vezes que sentei no sofá e pude sentir aquele cheiro de paz. O sol iluminava fracamente o chão e eu fechei os olhos e pude me transportar numa relação de espaço tempo tão maluca, que tudo que eu queria era poder tocar as cenas tão vividas que estavam em minha frente. Tudo em minha volta parou por alguns segundos e eu só ouvia o riso, as conversas e um barulho de uma cadeira que se movia. De repente eu voltei a realidade e eu sai pela porta que se bateu por trás de mim, com os olhos cheios de lágrimas. Lágrimas de saudades. Uma pontada no peito fez com que eu explodisse em lágrimas que escorriam sem que eu realmente quisesse. Se fisicamente a gente não viaja no tempo, sua alma vai pra onde ela quiser. Ela vive passado, presente e futuro sem que você perceba. E eu só penso, que eu faria as mesmas escolhas, só pra poder chegar onde estou hoje. E de todas as vezes que eu abri meus braços aos céus clamando um sinal, gritando a plenos pulmões uma canção que chegasse a um destino, um pensamento que fosse longe e soprasse junto com o barulho da chuva e do vento.
Pode parecer uma brincadeira de criança, mas não é. Não sou obsessiva e nem é uma mania. A verdade é que naquela hora exata é a única maneira que eu tenho como verdadeiramente conectar meu pensamento e dizer que meu mundo para por alguns segundos pra dizer a mim mesma a verdade que está dentro do meu peito. A realidade que vivo todos os dias. O sentimento bom que eu tenho no coração. A saudade que eu carrego na alma. O respeito que tenho pelos meus sentimentos. Mesmo que ninguém tenha por eles, eu sou o lar de todas as minhas vontades, desejos, sonhos e verdades. Sou um lar aberto, pronto, de braços estendidos e amor de verdade.
Meus braços estão abertos para receber as boas energias do mundo. Meu pé bate no chão pra que eu sinta a vida vindo da terra. Numa dança louca eu me entrego e deixo com que meu coração bata forte e intenso no peito. Me ajoelho e peço em súplica pra que minha vida seja sempre guardada e restaurada. Que o que eu não conheço ainda me ensine, me de força pra levantar e seguir. Ao fechar os olhos a melodia toma conta de todo meu ser. E eu ouço bem longe que minha alma precisa voltar pra casa. E eu peço pra que ela volte pra casa e deixar a dor ir e as ilusões se dissiparem. Eu sou sua casa. Seu lugar é dentro de mim.
Eu menti. A vergonha de dizer a verdade foi maior. Me faltou palavras e eu desisti no momento em que ouvi o primeiro toque. O que eu ia dizer? As mesmas palavras que se encontram presas em minha garganta? Ou chorar compulsivamente como se a loucura tivesse tomado conta do meu ser por completo? Num lampejo de sanidade eu desisti. Tentei fazer piada enquanto as lágrimas escorriam e meu coração doía. E falhei miseravelmente, mais uma vez. Falhei miseravelmente em não conseguir ser racional. Falhei miseravelmente em não conseguir controlar meus impulsos. Falhei miseravelmente até em arrancar um sorriso, porque o que eu provoquei foi raiva e descontentamento. E mais uma vez eu me enterro no mundo. Andando por ele como se eu não existisse.
Você não liga. Nunca ligou. Nunca entendeu. Nunca enxergou. São minutos que imploro, que choro, que sonho. Você veio se despedir noite passada? Era real, eu senti o abraço, maior que o próprio sonho. Era um conforto. Essa dor de ficar em silêncio. De querer um segundo da sua atenção. Eu quero gritar, falar, poder. E tudo que consigo é calar. E calar, e esperar. Esperar por algo que só existe em mim. Minha culpa, porque fui ouvir meu coração em vez da razão? Eu nunca deveria.
Tem dias que as crises aparecem de supetão, tomando meu corpo e mexendo com meu físico me dando a sensação de que um buraco se abriu em minha frente e eu vou cair sem poder voltar mais. Tem horas que ela me avisa devagarinho ao pé do meu ouvido me dizendo “eu estou aqui, não fui embora, não vou te deixar tão cedo”. Ela fala comigo, debocha dos meus medos, ri sem pudor das minhas fragilidades. E me faz encolher, quieta, na solidão dos meus mais cruéis traumas.
Preciso do silêncio. Silêncio que não me chega. Há um barulho interno em mim que não para. Há um barulho externo que me faz ter vertigens. O constante barulho me faz perder o fôlego, a vontade. Me faz correr lágrimas, me estremece a carne, faz com que me perca em mim. Preciso saber onde meu coração aquieta e onde minha alma transcende.
Enfim, nós. Atados ou não, há uma ligação. Pode ser que seja invisível, pode ser que seja imaginaria, pode ser que seja mental, mas ela está ali. Todos os dias. De um jeito torto, meio desengonçado, há aquele momento em que nós nos aproximam. Seja num sonho onde sinto seu abraço, seja num momento do dia que relembro sua voz, seja num piscar de olhos que te vejo claramente na minha frente. Ou seja naquele minuto específico que quero dizer que estou ali. Estamos, nós.
Eu posso esconder do mundo, mas não posso mentir pra mim. O tempo é relativo quando contado em segundos. E a cada segundo que passa, a saudade cresce.
Estranha essa palavra pra descrever um sentimento praticamente indecifrável. Não é dor, não é vazio, não é amor. É só saudade.
Esse sentimento que cresce, que toma conta, que faz eu travar conversas em minha mente com o silêncio. As respostas que não chegam. Os sinais que eu tento deixar. Eu quero dizer tantas coisas mas minhas convenções não me permitem ultrapassar a barreira do que é certo e do que é errado.
Mas hoje, eu só quero dizer: eu sinto saudades de você
Se eu for parar pra pensar, a vida é feita de momentos. Ontem eu tive um momento, daqueles que a gente quer recordar. Toda vez que eu vou num show, seja ele qual for, eu tenho um momento em que me emociono. Tem uma melodia, que toca ao ponto de só deixar as lagrimas escorrerem ou soluçar que nem criança.
Ontem os olhos só marejaram. O Covid me pegou e desencadeou um processo muito ruim dentro de mi. desencadeou crises e medos que eu não tinha fazia um bom tempo. E ontem, quando eu ouvi a melodia especifica, os olhos marejaram e me fizeram ver que apesar de tudo eu estava ali, de pé.
Quando em um momento especifico eu olhei pra cima em um flash passaram-se quatro meses em que eu engatinhei. Que genuinamente sofri, mas me trouxe mudanças que hoje são permanentes. Eu soo repetitiva sim. Mas esses últimos quinze dias foram um quase engatinhar. E eu me escorei nas paredes. Dobrei os joelhos pra não cair novamente.
Tem horas que eu só queria que a mágica acontecesse e tudo desaparecesse, mas na vida a gente tem que aprender a ter paciência. Eu gostaria de saber quanto mais de paciência eu ainda vou ter que ter. Quanto tempo eu vou ter que esperar. O mesmo tempo que corre e me deixa suspensa no ar em um piscar de olhos.
Quantas luas vão se passar até eu perceber que o tempo é o que a gente tem de mais precioso. Que os momentos que a gente não quer esquecer vão ficando cada vez mais e mais longes dentro da memória. O quanto eu vou poder confiar na memória e o quanto de tempo eu terei pra que eu possa ainda aproveitá-los.
Os meus instintos me dizem uma coisa, minha intuição me diz a mesma coisa. Minha realidade só me mostra que eu vivo pra esses momentos. Que eles sejam suficientes.
Tenho pensado muito na vida nesses dias. Mas mudanças de ciclo. No envelhecimento do corpo, no rejuvenescer do espírito. O covid abalou minhas estruturas, me fez ter mini crises, me deixou culpada. Culpada por ter me descuidado.
Um ciclo. Um ciclo que se iniciou. Mais um dentre os 42 que já passei. Um ciclo que não consigo nem imaginar como vai ser. Um ciclo sem planos. Sem rumo. Um ciclo a deriva. Não quero planejar meu futuro. Não quero me corroer na minha ansiedade.
Eu quero viver e fazer minhas escolhas. Quero ter os olhos abertos para oportunidades que o mundo pode oferecer. Nesse ciclo queria voar. Poder ter os olhos bem abertos. E meu coração firme. Mas meu pensamento e meu sentimento continuam o mesmo.