Não adianta saber e não dizer....e não provar...
É a cura dos males do mundo nas mãos disperdiçada...
São pérolas lindas jogadas a porcos imundos...
segunda-feira, julho 09, 2007
domingo, julho 08, 2007
Quarta-feira, Outubro 16, 2002
"Alguns acham que é bonita toda essa minha loucura, essa minha insanidade, mas não sabe o quanto foi difícil passar por esses percauços...........não sabe também que é complicado colocar no papel, algo que nunca tive coragem de explicar pra ninguém.......nem quis explicar...
Outras acham que tudo é muito depressivo, e escuro, e esperam um final feliz.........
Isso é real........aqui não há coisas que não aconteceram......."
"Alguns acham que é bonita toda essa minha loucura, essa minha insanidade, mas não sabe o quanto foi difícil passar por esses percauços...........não sabe também que é complicado colocar no papel, algo que nunca tive coragem de explicar pra ninguém.......nem quis explicar...
Outras acham que tudo é muito depressivo, e escuro, e esperam um final feliz.........
Isso é real........aqui não há coisas que não aconteceram......."
Quarta-feira, Julho 31, 2002
"Fui abrindo o pacote, enquanto entrava em casa e subia correndo pro quarto, pra sentar na cama, e saborear o momento.......
Fazia dois meses que eu não recebia notícias do Mathew, e aquilo era a prova viva de que ele ainda se lembrava de mim......dentro tinha uma carta, pequena, e o cd que tinha sido lançado........
“A hora que você receber isso, é provável que já tenha este cd em mãos, mas como as coisas andam burocraticamente para um artista, demorei um pouquinho pra receber cópias extras.......espero que goste do resultado final, e lembre-se que você participou de nove musicas da gravação, mixagem e masterização......espero te ver em breve, ou quando a tour passar em Seattle, se eu conseguir bilhetes extras, ou você aparecer, diga que me conhece, e que eu estou querendo te ver........aquele bando de segurança mala sem alça vai ficar avisado.......senão, eu te procuro minha pequena......te adoro, beijos, Mathew”
Meu nome estava na capa do cd, mas não era a mim que as músicas tinham sido dedicadas, e o nome de Beth estampava imenso no encarte........
Eu me fiz de forte, e segurei as lágrimas, enquanto colocava o cd, e ouvia cada letra e cada melodia, me acostumando com a limpidez que as músicas tinham alcançado com a masterização........ele tinha razão, nove daquelas que ele tinha escolhido, eu estava junto, e as outras, eu descobri depois.........
Não consegui segurar quando eu vi a música que ele tinha escrito, no meio da noite, e disse que era pra mim.......não conseguia segurar a saudade que estava sentindo a dois meses, e a vontade desesperadora de vê-lo.........
Eu estava à beira de me entregar novamente ao vício, e os meus 95% mau, queriam voltar a comandar minha vida e meus pensamentos........."
"Fui abrindo o pacote, enquanto entrava em casa e subia correndo pro quarto, pra sentar na cama, e saborear o momento.......
Fazia dois meses que eu não recebia notícias do Mathew, e aquilo era a prova viva de que ele ainda se lembrava de mim......dentro tinha uma carta, pequena, e o cd que tinha sido lançado........
“A hora que você receber isso, é provável que já tenha este cd em mãos, mas como as coisas andam burocraticamente para um artista, demorei um pouquinho pra receber cópias extras.......espero que goste do resultado final, e lembre-se que você participou de nove musicas da gravação, mixagem e masterização......espero te ver em breve, ou quando a tour passar em Seattle, se eu conseguir bilhetes extras, ou você aparecer, diga que me conhece, e que eu estou querendo te ver........aquele bando de segurança mala sem alça vai ficar avisado.......senão, eu te procuro minha pequena......te adoro, beijos, Mathew”
Meu nome estava na capa do cd, mas não era a mim que as músicas tinham sido dedicadas, e o nome de Beth estampava imenso no encarte........
Eu me fiz de forte, e segurei as lágrimas, enquanto colocava o cd, e ouvia cada letra e cada melodia, me acostumando com a limpidez que as músicas tinham alcançado com a masterização........ele tinha razão, nove daquelas que ele tinha escolhido, eu estava junto, e as outras, eu descobri depois.........
Não consegui segurar quando eu vi a música que ele tinha escrito, no meio da noite, e disse que era pra mim.......não conseguia segurar a saudade que estava sentindo a dois meses, e a vontade desesperadora de vê-lo.........
Eu estava à beira de me entregar novamente ao vício, e os meus 95% mau, queriam voltar a comandar minha vida e meus pensamentos........."
sexta-feira, julho 06, 2007
Sexta-feira, Agosto 16, 2002
"Acabei perdendo o emprego, e perdendo a completa concentração nas aulas........daí pra frente, senti que tinha perdido parte da minha vida........por algo que nem eu entendia..........
Eu tinha me recuperado de um estupro, e não tinha me recuperado de uma noite casual com um homem......e por que, não, eu queria saber por que não.......
Era Novembro, quando soube que Mathew ia tocar na cidade.......tinha cartazes do show, espalhados pela cidade toda........e apesar de tudo, eu ainda não tinha certeza de ir revê-lo.......estava com saudades, e precisava disso, mas não devia.......
Numa bela tarde de sábado (chuvosa, por sinal) estava limpando o apartamento, e com o rádio ligado......de repente, ouço falar do disco da banda, e de como a volta deles tinha sido esperada, e o quanto de impacto causou, quando o locutor disse que Mathew, estava no estúdio, pra dizer mais sobre o novo disco, quais as expectativas do show naquela noite, e algumas curiosidades pessoais........
Mathew falava muito bem, sobre tudo, com seu sarcasmo característico, e seu carisma excepcional........articulado, decidido, fazia com que eu chegasse aos meus olhos brilharem, e me sentisse bem, por sua presença não presença........
No meio da entrevista, as perguntas vieram para o campo pessoal, e do nada, ele vira e diz: “minha mulher está grávida”
Caia um vidro de limpeza de minhas mãos......
Perdi a limpeza, perdi o show, perdi a dignidade........tudo o que eu mais queria naquele momento era me jogar da janela, e ouvir meus ossos se quebrarem em um uníssono........eu tinha chegado no final de todos os alçapões........
Eu nem percebi o que fiz........quando acordei, tinham algumas garrafas de cerveja em minha volta, e minha cabeça doía muito.......sem contar que já não estava sentindo boa parte do meu corpo.......
Os meninos tinham ido viajar com umas garotas naquele final de semana, e eu estava sozinha.......
Fui me arrastando até o telefone, liguei pra John e disse: “estou morrendo, me ajude...”........tentava não me desesperar até que o socorro chegasse, mas eu nunca tinha chegado aquele ponto.........
Quando ele chegou, eu chorava e gritava e ele me levou correndo para o pronto atendimento........
Uma hora depois eu estava quentinha e fora de perigo na enfermaria.......John estava do meu lado, e me olhava com piedade.......aquilo doía mais do que tudo o que tinha passado......
Ele tirou um flyer do bolso, e me perguntou se era por causa daquilo que estava daquele jeito.......era uma foto promocional do show da banda de Mathew............depois de meses sem derramar uma lágrima, eu disse que sim, e desandei a chorar..........
Sai dali e fui pra casa.......mais calma, mais segura, com alguém me vigiando........
Cheguei, John me trocou e deitei pra dormir..........por mais que eu quisesse, eu não conseguia dormir.......e fingia cada vez que ele se virava pra ver se eu estava dormindo......
Nunca algumas horas demoraram tanto........o dia não amanhecia, e eu precisava que ele amanhecesse.........
Quando o relógio acusou oito horas, me levantei, me troquei e sai de casa sem fazer um barulho, enquanto John jazia ao meu lado, num sono de anjo profundo........
Desci as escadas, sai e parei em frente a porta do prédio.........eram só oito horas da manhã, mas estava tão escuro que pareciam seis horas da tarde........um frio intenso e uma chuva que castigava qualquer transeunte que se arriscava a sair........
Fui andando até o ponto de ônibus, deixando aquela chuva cair sobre mim, tentando limpar um pouco dos meus pensamentos, dos meus pecados.......tinha uma idéia fixa, e um plano traçado, esperando que desse certo........nas minhas mãos tinha as datas dos próximos shows de Mathew, que começariam no próximo dia, na Europa....
Parei em frente ao local do show na noite anterior.......na banca mais próxima, no caderno de variedades do jornal, tinha um resenha generosa sobre o show, que tinha deixado aquelas centenas de pessoas satisfeitas, depois de tanto tempo que a banda estava longe dos palcos........
Eu ainda podia sentir toda a energia que saia daquele lugar, e imaginar cada gesto, cada sorriso, cada palavra que tinha sido dita naquele show.......
Peguei mais uma vez o ônibus, e fui parar em frente a casa de Mathew.......meu plano era o de ficar ali, pra ver alguma manifestação de vida, nem que fosse pelas janelas........até que eu pudesse tomar coragem e ir falar ou pelo menos perguntar por ele.........
A chuva continuava, não tinha dado trégua o dia todo.......e eu estava ali, parada em frente a casa, olhando a cada detalhe.....esperando que alguém saísse de lá.......imaginado o que poderia estar acontecendo lá dentro, me desesperando a cada cena que passava pelo meu subconsciente......
Mais ou menos no final da tarde o portão se abriu........o carro saiu, e eu pude ver Beth com um grande guarda-chuva, fechando o portão........não reparei se ela estava grávida há muito tempo.......no carro estava Mathew.....
Era o mesmo rosto que tinha visto há alguns meses atrás quando me despedi no estúdio......parecia um pouco cansado, talvez por causa da tour.....ele tinha aberto a janela rapidamente pra olhar algo na rua.......
Eu continuava do outro lado, escondida atrás da árvore, estática, pasma, bestificada.........tudo era um grande déjà vu..........
Beth entrava no carro, a janela se fechava, e Mathew seguia para o aeroporto, para cumprir as suas datas na Europa....
O carro se foi, e eu fiquei ainda alguns minutos tentando entender o que tinha acontecido....porque não tinha me jogado em frente a ele, porque não tinha tentando.....
Rodei pela cidade, a pé, por um bom tempo.......peguei o ônibus e segui até em casa........
Quando entrei, todos estavam me esperando........eu estava ensopada, e John era o único que talvez tivesse o sexto sentido pra toda aquela história, enquanto os outros só me jogavam olhares de condenação........
“Onde você estava?”........”devia ter nos avisado........John disse que faz tempo que você saiu...”.......”tá todo mundo preocupado, e você parece não dar a mínima.......”
John disse pra que eles não fizessem perguntas, e que me deixassem falar se eu quisesse..........e eu não tinha intenção nenhuma de falar.......eu queria um banho, e queria deitar.........
Entrei pra tomar banho, e enquanto John dava as desculpas esfarrapadas pra tudo aquilo, eu escrevia o nome de Mathew no vidro do box......."
"Acabei perdendo o emprego, e perdendo a completa concentração nas aulas........daí pra frente, senti que tinha perdido parte da minha vida........por algo que nem eu entendia..........
Eu tinha me recuperado de um estupro, e não tinha me recuperado de uma noite casual com um homem......e por que, não, eu queria saber por que não.......
Era Novembro, quando soube que Mathew ia tocar na cidade.......tinha cartazes do show, espalhados pela cidade toda........e apesar de tudo, eu ainda não tinha certeza de ir revê-lo.......estava com saudades, e precisava disso, mas não devia.......
Numa bela tarde de sábado (chuvosa, por sinal) estava limpando o apartamento, e com o rádio ligado......de repente, ouço falar do disco da banda, e de como a volta deles tinha sido esperada, e o quanto de impacto causou, quando o locutor disse que Mathew, estava no estúdio, pra dizer mais sobre o novo disco, quais as expectativas do show naquela noite, e algumas curiosidades pessoais........
Mathew falava muito bem, sobre tudo, com seu sarcasmo característico, e seu carisma excepcional........articulado, decidido, fazia com que eu chegasse aos meus olhos brilharem, e me sentisse bem, por sua presença não presença........
No meio da entrevista, as perguntas vieram para o campo pessoal, e do nada, ele vira e diz: “minha mulher está grávida”
Caia um vidro de limpeza de minhas mãos......
Perdi a limpeza, perdi o show, perdi a dignidade........tudo o que eu mais queria naquele momento era me jogar da janela, e ouvir meus ossos se quebrarem em um uníssono........eu tinha chegado no final de todos os alçapões........
Eu nem percebi o que fiz........quando acordei, tinham algumas garrafas de cerveja em minha volta, e minha cabeça doía muito.......sem contar que já não estava sentindo boa parte do meu corpo.......
Os meninos tinham ido viajar com umas garotas naquele final de semana, e eu estava sozinha.......
Fui me arrastando até o telefone, liguei pra John e disse: “estou morrendo, me ajude...”........tentava não me desesperar até que o socorro chegasse, mas eu nunca tinha chegado aquele ponto.........
Quando ele chegou, eu chorava e gritava e ele me levou correndo para o pronto atendimento........
Uma hora depois eu estava quentinha e fora de perigo na enfermaria.......John estava do meu lado, e me olhava com piedade.......aquilo doía mais do que tudo o que tinha passado......
Ele tirou um flyer do bolso, e me perguntou se era por causa daquilo que estava daquele jeito.......era uma foto promocional do show da banda de Mathew............depois de meses sem derramar uma lágrima, eu disse que sim, e desandei a chorar..........
Sai dali e fui pra casa.......mais calma, mais segura, com alguém me vigiando........
Cheguei, John me trocou e deitei pra dormir..........por mais que eu quisesse, eu não conseguia dormir.......e fingia cada vez que ele se virava pra ver se eu estava dormindo......
Nunca algumas horas demoraram tanto........o dia não amanhecia, e eu precisava que ele amanhecesse.........
Quando o relógio acusou oito horas, me levantei, me troquei e sai de casa sem fazer um barulho, enquanto John jazia ao meu lado, num sono de anjo profundo........
Desci as escadas, sai e parei em frente a porta do prédio.........eram só oito horas da manhã, mas estava tão escuro que pareciam seis horas da tarde........um frio intenso e uma chuva que castigava qualquer transeunte que se arriscava a sair........
Fui andando até o ponto de ônibus, deixando aquela chuva cair sobre mim, tentando limpar um pouco dos meus pensamentos, dos meus pecados.......tinha uma idéia fixa, e um plano traçado, esperando que desse certo........nas minhas mãos tinha as datas dos próximos shows de Mathew, que começariam no próximo dia, na Europa....
Parei em frente ao local do show na noite anterior.......na banca mais próxima, no caderno de variedades do jornal, tinha um resenha generosa sobre o show, que tinha deixado aquelas centenas de pessoas satisfeitas, depois de tanto tempo que a banda estava longe dos palcos........
Eu ainda podia sentir toda a energia que saia daquele lugar, e imaginar cada gesto, cada sorriso, cada palavra que tinha sido dita naquele show.......
Peguei mais uma vez o ônibus, e fui parar em frente a casa de Mathew.......meu plano era o de ficar ali, pra ver alguma manifestação de vida, nem que fosse pelas janelas........até que eu pudesse tomar coragem e ir falar ou pelo menos perguntar por ele.........
A chuva continuava, não tinha dado trégua o dia todo.......e eu estava ali, parada em frente a casa, olhando a cada detalhe.....esperando que alguém saísse de lá.......imaginado o que poderia estar acontecendo lá dentro, me desesperando a cada cena que passava pelo meu subconsciente......
Mais ou menos no final da tarde o portão se abriu........o carro saiu, e eu pude ver Beth com um grande guarda-chuva, fechando o portão........não reparei se ela estava grávida há muito tempo.......no carro estava Mathew.....
Era o mesmo rosto que tinha visto há alguns meses atrás quando me despedi no estúdio......parecia um pouco cansado, talvez por causa da tour.....ele tinha aberto a janela rapidamente pra olhar algo na rua.......
Eu continuava do outro lado, escondida atrás da árvore, estática, pasma, bestificada.........tudo era um grande déjà vu..........
Beth entrava no carro, a janela se fechava, e Mathew seguia para o aeroporto, para cumprir as suas datas na Europa....
O carro se foi, e eu fiquei ainda alguns minutos tentando entender o que tinha acontecido....porque não tinha me jogado em frente a ele, porque não tinha tentando.....
Rodei pela cidade, a pé, por um bom tempo.......peguei o ônibus e segui até em casa........
Quando entrei, todos estavam me esperando........eu estava ensopada, e John era o único que talvez tivesse o sexto sentido pra toda aquela história, enquanto os outros só me jogavam olhares de condenação........
“Onde você estava?”........”devia ter nos avisado........John disse que faz tempo que você saiu...”.......”tá todo mundo preocupado, e você parece não dar a mínima.......”
John disse pra que eles não fizessem perguntas, e que me deixassem falar se eu quisesse..........e eu não tinha intenção nenhuma de falar.......eu queria um banho, e queria deitar.........
Entrei pra tomar banho, e enquanto John dava as desculpas esfarrapadas pra tudo aquilo, eu escrevia o nome de Mathew no vidro do box......."
terça-feira, julho 03, 2007
Domingo, Agosto 26, 2001
Estava cansada.....apesar de acabar de ter saído das férias, queria poder ter tido mais tempo para realizar seus planos.....descansar.....
O professor falando e ela tentando prestar atenção, enquanto seu microscópio estava ligado...não estava conseguindo se concentrar.....as palavras entravam em sua cabeça e saíam......
Fazia algum tempo que se sentia serena......sem nenhuma preocupação........isso a animava, mas também a preocupava, porque sabia que em algum lugar no final dos meses a chateariam.....
Tentava firmar seu pensamento, prestar atenção.....ele falava sobre, sim, queratina....que merda,o que estava fazendo ali???.......o sol tava lindo lá fora......mas a queratina provavelmente tinha alguma importância......
Epiderme, pele, tecido.......lembrou-se de suas loucuras......alguém tinha o encontrado em um aeroporto...mas quem???.......não conseguia se lembrar, não conseguia fazer esforços com sua mente....
Em 3 anos que estava em Seattle, agora sua vida estava mias estável, mas menos agitada.....já fazia alguns dias que não via John.....estava vendo Lex e Carlos porque morava no mesmo apartamento, e somente na hora do jantar....
Estava deprimida, não acreditava que Dave ia casar......é, ele realmente tinha encontrado a mulher de sua vida......
E agora, tinham visto Matthew no aeroporto.......ela não lembrava quem havia lhe dito, ele estava voltando de Los Angeles......
Lembrava que tinha ido para a Califórnia com ele, a dois anos atrás a trabalho......dois meses, verão......
Sim, a membrana plasmática, com queratinócitos, escama córnea, células, núcleos.....Matthew......Deus, que saudades......
Será que ele a ligaria???......provavelmente ele já estava em Seattle.......sim, fibras, camada de células, grande acúmulo de queratina......Matthew, que saudades.......
Sentiu um arrepio no corpo, uma vontade de se entregar....grânulos, glicosaminoglicanas......proteínas.......Matthew e suas mãos......suas mãos e seu rosto.....
Nutrição da epiderme, bombom, oxigênio, água.......Matthew, saudades, Matthew, taque cardíaco, calor, torpor, seu corpo Matthew, vontade, barreira, Matthew, saudades, seu cheiro, Matthew, seu gosto.....
Susto, tinha escorregado o braço, batido com o cotovelo no microscópio....fez barulho, olhares......
Que droga, não conseguia tirar Matthew da cabeça.......sem, fazia tempo, estava com medo de ligar para Los Angeles, talvez ele tivesse aborrecido com ela......
Sim, ia sair da sala........melanina, melanócito.......ia ligar.......
Sentou nas escadas, pegou o celular.......chamou quatro vezes......não, não devia ter ligado......talvez ele tivesse feito as pazes com Beth.........deviam estar dormindo......juntos.......
Que ódio, derramou duas lágrimas de raiva......queria desligar, não conseguia.......sim, atenderam, era voz de mulher, pensou em não falar, mas tudo foi tão rápido que nem percebeu quando ouviu Matthew no telefone......
Não sabia o que falava, estava com medo........perguntou como ele estava, como tinha sido sua viajem.....tentou ser natural, mas não conseguiu......
Ele estava diferente, disse que não ligou porque tudo estava complicado, ia ter que voltar a Los Angeles em uma semana.......disse a ele que estava com saudades, e só ouviu a resposta de que tinham que conversar......
Foi para a sala com medo.....tinha que voltar a ouvir sobre......pele......três camadas, três camadas na epiderme, tipos celulares, células de Langerhans, células de Merckel, lâmina basal......mas porque precisavam conversar????o que será que havia acontecido???......
Queria ligar de novo, dizer que tinha saudades, que pensa nele todos os dias, que queria o ver, que o amava!......
Era a primeira vez que admitia isso......olhou fixamente para a projeção......tinha falado, tinha admitido......o amava....tinha prometido a si mesma que não diria isso nunca mais, desde que Daniel tinha a traído........
Não confiava em ninguém........não podia, se confiasse, não ia ser mais forte, ia deixar com que fosse dominada, aconteceria a mesma coisa......
Não queria mais, sabia de todos os abusos e todas as marcas físicas e psicológicas que ele tinha deixado......tinha medo de se olhar no espelho, ainda podia sentir a violência que recebeu e sua falta de coragem.......não o amava, sabia disso.......
Mas Matthew era diferente, ela sentia.....tudo com ele era diferente.....o tempo que passava com ele, as suas conversas malucas, o jeito que ele a fazia rir, a forma que a olhava, o jeito que se tocavam, os beijos, o sexo......
Por que queria conversar???......sim, a aula havia acabado, hoje ia para casa mais cedo.......não almoçou, deitou dormiu um pouco, pensou, levantou, tomou banho......
Estava calor, meio do verão......ia chover......Em Seattle sempre chovia......duzentos e trinta dias por ano.......por isso Matthew gostava da Califórnia.....
Matthew.......será que ele ligaria???.......bom entrou na internet para se distrair.......os meninos tinham saído......não era sexta, mas eles não se agüentavam muito tempo em casa....
A campainha....putz, provavelmente Carlos tinha esquecido a chave......saiu esbravejando, abriu a porta bruscamente....Matthew.....
Olhos verdes claros, sério, esboçou um sorriso.....a abraçou, deu-lhe um beijo no rosto..... estava preocupada.....estava com medo.......
Entrou........sentou.......ficaram mudos......quebraram o gelo falando sobre o tempo.....não era sobre o tempo que eles queriam falar, não era sobre isso......ela estava com medo......
Estavam um de frente para o outro, evitavam de se olharem.....não se conteve e acabou perguntando porque ele queria conversar.......
Tudo veio a sua cabeça, que ele tinha voltado com Beth, que sua vida voltava aos eixos, que poderiam ser bons amigos........
As palavras surgiam, ela entrava mais em desespero, quando percebeu que, não, nada estava bem, mas já não agüentava mais a pressão, não queria mais escondê-la, não queria mais sacrificá-la.....
Não dava mais, ela sabia que ele não a amava.....mas não conseguia acreditar....estavam desesperados.....ele saiu, ela ficou muda.......a chuva castigava......típico dia de Seattle.....
Não podia ficar ali, tinha que fazer alguma coisa.....saiu correndo........nem percebeu os dois andares de escadas que desceu.....nem a chuva a deteve........
Avistou-o perto da esquina, do outro lado da rua.....gritou seu nome.....ele fingiu não ouvi-la......tinha que dizer, tinha que dizer o que tinha admitido a algumas horas atrás......gritou bem alto, sem medo, seu nome, seu sentimento, sem pudores, continuou repetindo, até cansar....deitada, com os braços abertos, no meio da rua......
Não sabia se era a chuva que caia no seu rosto, ou se eram lágrimas escorrendo sobre seu corpo todo.......
Sentiu duas mãos envolverem sua cintura, teve medo de abrir os olhos.......podia ser qualquer um, Matthew poderia estar longe, poderia ter ignorado suas palavras, ou simplesmente estar ali......
E se abrisse os olhos???decepcionaria-se???estaria sendo frágil e mais transparente do que já era????....seria defeito tentar ser feliz, experimentar a liberdade de sua alma, entregando-se por completo a algo que acreditaria para sempre????....
Seria pior ou melhor por ser diferente???....queria ser taxada de hipócrita porque era aquilo tudo que criticava???......mas era, estava sendo arrastada pelas suas próprias fraquezas, porque nelas se escondia e não deixava com que ninguém se aproximasse.....
Matthew, onde estava Matthew, seria sua imaginação que tivesse rolado sem que ela tivesse percebido????......seriam segundos??????seriam dias???.......
Não hesitou, abriu os olhos, abriu bem os olhos, chamou Matthew, baixinho, quase imperceptível.....ainda não tinha notado que estava sendo vigiada, por dois olhos verdes.......dois olhos verdes confusos, assustados, com tanto medo quanto ela.......
Queria dizer tudo, tomou sua coragem, tinha que falar que não sabia o que, que não sabia o porquê....mas tinha, era seu dever.....
Ele não deixou, sussurrou no seu ouvido algumas palavras....sentiu seu corpo em outro lugar....queria o beijar, queria o amar, queria o ter para sempre, ali, sem nenhum motivo.....
O segurou, repetiu variadas vezes algo que não dizia a anos.....não se importou com reações, com desprezos.......
Era assim que queria ser, queria viver ali, queria agarrar-se ao seu presente pois era algo que a motivava.......só tinha ali, aquele momento, aqueles olhos verdes, aquele corpo que não sabia se tremia de frio, medo ou prazer.....
Poderia morrer, tinha provado a felicidade, tinha provado a si mesma que realizou o seu maior sonho, sem que tivesse sido hipócrita......não importava seu futuro......
Fechava-se portanto, o ciclo da vida.
Estava cansada.....apesar de acabar de ter saído das férias, queria poder ter tido mais tempo para realizar seus planos.....descansar.....
O professor falando e ela tentando prestar atenção, enquanto seu microscópio estava ligado...não estava conseguindo se concentrar.....as palavras entravam em sua cabeça e saíam......
Fazia algum tempo que se sentia serena......sem nenhuma preocupação........isso a animava, mas também a preocupava, porque sabia que em algum lugar no final dos meses a chateariam.....
Tentava firmar seu pensamento, prestar atenção.....ele falava sobre, sim, queratina....que merda,o que estava fazendo ali???.......o sol tava lindo lá fora......mas a queratina provavelmente tinha alguma importância......
Epiderme, pele, tecido.......lembrou-se de suas loucuras......alguém tinha o encontrado em um aeroporto...mas quem???.......não conseguia se lembrar, não conseguia fazer esforços com sua mente....
Em 3 anos que estava em Seattle, agora sua vida estava mias estável, mas menos agitada.....já fazia alguns dias que não via John.....estava vendo Lex e Carlos porque morava no mesmo apartamento, e somente na hora do jantar....
Estava deprimida, não acreditava que Dave ia casar......é, ele realmente tinha encontrado a mulher de sua vida......
E agora, tinham visto Matthew no aeroporto.......ela não lembrava quem havia lhe dito, ele estava voltando de Los Angeles......
Lembrava que tinha ido para a Califórnia com ele, a dois anos atrás a trabalho......dois meses, verão......
Sim, a membrana plasmática, com queratinócitos, escama córnea, células, núcleos.....Matthew......Deus, que saudades......
Será que ele a ligaria???......provavelmente ele já estava em Seattle.......sim, fibras, camada de células, grande acúmulo de queratina......Matthew, que saudades.......
Sentiu um arrepio no corpo, uma vontade de se entregar....grânulos, glicosaminoglicanas......proteínas.......Matthew e suas mãos......suas mãos e seu rosto.....
Nutrição da epiderme, bombom, oxigênio, água.......Matthew, saudades, Matthew, taque cardíaco, calor, torpor, seu corpo Matthew, vontade, barreira, Matthew, saudades, seu cheiro, Matthew, seu gosto.....
Susto, tinha escorregado o braço, batido com o cotovelo no microscópio....fez barulho, olhares......
Que droga, não conseguia tirar Matthew da cabeça.......sem, fazia tempo, estava com medo de ligar para Los Angeles, talvez ele tivesse aborrecido com ela......
Sim, ia sair da sala........melanina, melanócito.......ia ligar.......
Sentou nas escadas, pegou o celular.......chamou quatro vezes......não, não devia ter ligado......talvez ele tivesse feito as pazes com Beth.........deviam estar dormindo......juntos.......
Que ódio, derramou duas lágrimas de raiva......queria desligar, não conseguia.......sim, atenderam, era voz de mulher, pensou em não falar, mas tudo foi tão rápido que nem percebeu quando ouviu Matthew no telefone......
Não sabia o que falava, estava com medo........perguntou como ele estava, como tinha sido sua viajem.....tentou ser natural, mas não conseguiu......
Ele estava diferente, disse que não ligou porque tudo estava complicado, ia ter que voltar a Los Angeles em uma semana.......disse a ele que estava com saudades, e só ouviu a resposta de que tinham que conversar......
Foi para a sala com medo.....tinha que voltar a ouvir sobre......pele......três camadas, três camadas na epiderme, tipos celulares, células de Langerhans, células de Merckel, lâmina basal......mas porque precisavam conversar????o que será que havia acontecido???......
Queria ligar de novo, dizer que tinha saudades, que pensa nele todos os dias, que queria o ver, que o amava!......
Era a primeira vez que admitia isso......olhou fixamente para a projeção......tinha falado, tinha admitido......o amava....tinha prometido a si mesma que não diria isso nunca mais, desde que Daniel tinha a traído........
Não confiava em ninguém........não podia, se confiasse, não ia ser mais forte, ia deixar com que fosse dominada, aconteceria a mesma coisa......
Não queria mais, sabia de todos os abusos e todas as marcas físicas e psicológicas que ele tinha deixado......tinha medo de se olhar no espelho, ainda podia sentir a violência que recebeu e sua falta de coragem.......não o amava, sabia disso.......
Mas Matthew era diferente, ela sentia.....tudo com ele era diferente.....o tempo que passava com ele, as suas conversas malucas, o jeito que ele a fazia rir, a forma que a olhava, o jeito que se tocavam, os beijos, o sexo......
Por que queria conversar???......sim, a aula havia acabado, hoje ia para casa mais cedo.......não almoçou, deitou dormiu um pouco, pensou, levantou, tomou banho......
Estava calor, meio do verão......ia chover......Em Seattle sempre chovia......duzentos e trinta dias por ano.......por isso Matthew gostava da Califórnia.....
Matthew.......será que ele ligaria???.......bom entrou na internet para se distrair.......os meninos tinham saído......não era sexta, mas eles não se agüentavam muito tempo em casa....
A campainha....putz, provavelmente Carlos tinha esquecido a chave......saiu esbravejando, abriu a porta bruscamente....Matthew.....
Olhos verdes claros, sério, esboçou um sorriso.....a abraçou, deu-lhe um beijo no rosto..... estava preocupada.....estava com medo.......
Entrou........sentou.......ficaram mudos......quebraram o gelo falando sobre o tempo.....não era sobre o tempo que eles queriam falar, não era sobre isso......ela estava com medo......
Estavam um de frente para o outro, evitavam de se olharem.....não se conteve e acabou perguntando porque ele queria conversar.......
Tudo veio a sua cabeça, que ele tinha voltado com Beth, que sua vida voltava aos eixos, que poderiam ser bons amigos........
As palavras surgiam, ela entrava mais em desespero, quando percebeu que, não, nada estava bem, mas já não agüentava mais a pressão, não queria mais escondê-la, não queria mais sacrificá-la.....
Não dava mais, ela sabia que ele não a amava.....mas não conseguia acreditar....estavam desesperados.....ele saiu, ela ficou muda.......a chuva castigava......típico dia de Seattle.....
Não podia ficar ali, tinha que fazer alguma coisa.....saiu correndo........nem percebeu os dois andares de escadas que desceu.....nem a chuva a deteve........
Avistou-o perto da esquina, do outro lado da rua.....gritou seu nome.....ele fingiu não ouvi-la......tinha que dizer, tinha que dizer o que tinha admitido a algumas horas atrás......gritou bem alto, sem medo, seu nome, seu sentimento, sem pudores, continuou repetindo, até cansar....deitada, com os braços abertos, no meio da rua......
Não sabia se era a chuva que caia no seu rosto, ou se eram lágrimas escorrendo sobre seu corpo todo.......
Sentiu duas mãos envolverem sua cintura, teve medo de abrir os olhos.......podia ser qualquer um, Matthew poderia estar longe, poderia ter ignorado suas palavras, ou simplesmente estar ali......
E se abrisse os olhos???decepcionaria-se???estaria sendo frágil e mais transparente do que já era????....seria defeito tentar ser feliz, experimentar a liberdade de sua alma, entregando-se por completo a algo que acreditaria para sempre????....
Seria pior ou melhor por ser diferente???....queria ser taxada de hipócrita porque era aquilo tudo que criticava???......mas era, estava sendo arrastada pelas suas próprias fraquezas, porque nelas se escondia e não deixava com que ninguém se aproximasse.....
Matthew, onde estava Matthew, seria sua imaginação que tivesse rolado sem que ela tivesse percebido????......seriam segundos??????seriam dias???.......
Não hesitou, abriu os olhos, abriu bem os olhos, chamou Matthew, baixinho, quase imperceptível.....ainda não tinha notado que estava sendo vigiada, por dois olhos verdes.......dois olhos verdes confusos, assustados, com tanto medo quanto ela.......
Queria dizer tudo, tomou sua coragem, tinha que falar que não sabia o que, que não sabia o porquê....mas tinha, era seu dever.....
Ele não deixou, sussurrou no seu ouvido algumas palavras....sentiu seu corpo em outro lugar....queria o beijar, queria o amar, queria o ter para sempre, ali, sem nenhum motivo.....
O segurou, repetiu variadas vezes algo que não dizia a anos.....não se importou com reações, com desprezos.......
Era assim que queria ser, queria viver ali, queria agarrar-se ao seu presente pois era algo que a motivava.......só tinha ali, aquele momento, aqueles olhos verdes, aquele corpo que não sabia se tremia de frio, medo ou prazer.....
Poderia morrer, tinha provado a felicidade, tinha provado a si mesma que realizou o seu maior sonho, sem que tivesse sido hipócrita......não importava seu futuro......
Fechava-se portanto, o ciclo da vida.
domingo, julho 01, 2007
sexta-feira, junho 29, 2007
quarta-feira, junho 20, 2007
quarta-feira, junho 13, 2007
Já era tarde, e mesmo cansado, olhava insistentemente para suas mãos...não conseguia lembrar o que tinha feito naquele dia...tudo era um grande flash em branco de suas maiores atitudes...
Onde será que tinha estado?....e porque se sentia tão cansado se ao menos sabia que a poucos minutos poderia fechar seus olhos e dormir...
Era esse um dos grandes problemas...por mais que dormisse, não conseguia descansar sua cabeça...e a cada minuto que passava, pensava que queria dormir por um tempo indeterminado, para não ter que encarar os fatos de sua vida...
O que doía tanto?...o que o corroía por dentro e não sabia mais?...porque dava tanta importância para as coisas que os seres humanos não poderiam nunca entender?
Não precisava estar daquele jeito...mas via seus dias se passarem em uma grande foto preto e branco...estática e linda, de tão melancólica e vazia...
Não acreditava em sua voz interior...não acreditava que tudo iria voltar a ficar bem...não acreditava que poderia fazer tudo ter brilho novamente...
A cabeça explodia em uma sensação de não sentir nada...e queria voltar a ser como antes e não conseguia...queria voltar a viver como antes, e não conseguia...queria voltar a sentir como antes, mas não conseguia...
Que palavra tinha sido tão perturbadora?...porque pensava que poderia mudar o mundo, se ao menos não podia fazer todas as suas coisas decentemente?
Se importava tanto com um gesto de carinho...se importava tanto com a verdade...se importava tanto que se importassem com ele...e não sabia aprender a se importar consigo mesmo...
Mesmo as lágrimas caindo de seus olhos, e seus movimentos serem milimetricamente contados, ainda esperava ouvir o que esperou o dia todo...
Era tristeza...era o olhar para trás de todas as dores que tinha sentido e dizer que já não suportava mais...era o desprezo que tinha pela sua pessoa em ter se tornado alguém tão fraco e vulnerável...
Sabia que por mais que fingisse que não, preferia que o mundo levasse embora a sua alma, para não ter mais que sentir solidão...
Dentro, era dor...dor que não podia descrever...dor que fazia se sentir pequeno e desprezível...dor de ter deixado o mundo o engolir...e devolver só os pedaços que já não serviam mais...
Por mais que sorrisse, queria abrir os braços e se jogar de um lugar bem alto, em um dia lindo de sol...queria saber novamente o que era o ar gelado entrar em seus pulmões...
Queria saber se pedia perdão...se quebrava tudo...se sumia por dias e voltaria como se nada tivesse acontecido...
Estava cansado de esperar o telefone tocar...estava cansado de esperar a vida lhe agradecer...estava cansado de ouvir o eco de sua própria voz em suas quatro paredes, agonizando por respostas...respostas que nunca viriam...
Era solidão de si que sentia...e isso talvez nunca mais tivesse cura...
Onde será que tinha estado?....e porque se sentia tão cansado se ao menos sabia que a poucos minutos poderia fechar seus olhos e dormir...
Era esse um dos grandes problemas...por mais que dormisse, não conseguia descansar sua cabeça...e a cada minuto que passava, pensava que queria dormir por um tempo indeterminado, para não ter que encarar os fatos de sua vida...
O que doía tanto?...o que o corroía por dentro e não sabia mais?...porque dava tanta importância para as coisas que os seres humanos não poderiam nunca entender?
Não precisava estar daquele jeito...mas via seus dias se passarem em uma grande foto preto e branco...estática e linda, de tão melancólica e vazia...
Não acreditava em sua voz interior...não acreditava que tudo iria voltar a ficar bem...não acreditava que poderia fazer tudo ter brilho novamente...
A cabeça explodia em uma sensação de não sentir nada...e queria voltar a ser como antes e não conseguia...queria voltar a viver como antes, e não conseguia...queria voltar a sentir como antes, mas não conseguia...
Que palavra tinha sido tão perturbadora?...porque pensava que poderia mudar o mundo, se ao menos não podia fazer todas as suas coisas decentemente?
Se importava tanto com um gesto de carinho...se importava tanto com a verdade...se importava tanto que se importassem com ele...e não sabia aprender a se importar consigo mesmo...
Mesmo as lágrimas caindo de seus olhos, e seus movimentos serem milimetricamente contados, ainda esperava ouvir o que esperou o dia todo...
Era tristeza...era o olhar para trás de todas as dores que tinha sentido e dizer que já não suportava mais...era o desprezo que tinha pela sua pessoa em ter se tornado alguém tão fraco e vulnerável...
Sabia que por mais que fingisse que não, preferia que o mundo levasse embora a sua alma, para não ter mais que sentir solidão...
Dentro, era dor...dor que não podia descrever...dor que fazia se sentir pequeno e desprezível...dor de ter deixado o mundo o engolir...e devolver só os pedaços que já não serviam mais...
Por mais que sorrisse, queria abrir os braços e se jogar de um lugar bem alto, em um dia lindo de sol...queria saber novamente o que era o ar gelado entrar em seus pulmões...
Queria saber se pedia perdão...se quebrava tudo...se sumia por dias e voltaria como se nada tivesse acontecido...
Estava cansado de esperar o telefone tocar...estava cansado de esperar a vida lhe agradecer...estava cansado de ouvir o eco de sua própria voz em suas quatro paredes, agonizando por respostas...respostas que nunca viriam...
Era solidão de si que sentia...e isso talvez nunca mais tivesse cura...
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